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sábado, 20 de julho de 2013
Escreva Lola Escreva: AMANDA PALMER ENSINA A COMO SE COMPORTAR
Escreva Lola Escreva: AMANDA PALMER ENSINA A COMO SE COMPORTAR: Quando digo, como disse nesta entrevista que saiu ontem na TPM, que vocês me ensinam algo novo a cada semana, não estou exagerando. ...
Os Inocentes do Leblon bsc
Os Inocentes do Leblon
Publicado em 20 de julho de 2013 por repimlins
Foi no Leblon. E, como previsto, parou tudo. Quebraram lojas no Leblon. Vitrines. No Leblon de Manoel Carlos. Quebraram.
Parou tudo e o governador acusou “organismos internacionais” de estarem organizando as manifestações. Anunciou a criação da comissão com o nome mais ridículo que eu já vi na vida: a “Comissão Especial de Atos de Vandalismo em Manifestações Públicas”, para a qual minha irmã sugeriu a singela sigla COMESINAVANMANPU. Porque só o riso salva, se o papa deixar.
Tem gente defendendo. Falando dos empresários trabalhadores, batalhadores, que construíram o patrimônio à custa do suor do seu rosto. E blá-blá-blá. Aí paro eu. Paro porque não dá pra falar disso assim, descontextualizado. É Rio, amigo. O Rio onde a polícia anda barbarizando há tantas semanas. Brincando de jogar gás lacrimogêneo, prendendo gente a torto e a direito. No Leblon mesmo, naquele dia, prenderam um grupo, forjaram provas, quiseram indiciar por formação de quadrilha gente que nem se conhecia. Que tava fugindo da polícia que barbarizava. O Rafucko conta essa história com palavras e imagens, aqui.
E isso foi no Leblon. Naquele dia, naquele mesmo dia. No mesmo dia, a Rocinha fazia manifestação protestando contra o desaparecimento de um morador, o pedreiro Amarildo Dias de Souza. Segundo sua mulher, ele foi levado à UPP para “prestar esclarecimentos”. E nunca voltou.
Antes disso, teve pancadaria durante a Copa das Confederações. Teve pancadaria no Centro, teve pancadaria nas Laranjeiras, com direito a gás lacrimogêneo em hospitais (vários), ao apagar de luzes no momento da ação policial violenta, realizada por indivíduos muitas vezes sem identificação. Os relatos tão aí, é só procurar, a Mídia Ninja fez coberturas de todos esses eventos.
Mais importante do que isso tudo: teve a Maré. Teve os mortos da Maré (dez? doze?), a chacina da Maré. Os mortos da Maré, os feridos da Maré, as casas invadidas da Maré, o medo da Maré.
E nenhuma fala, de nenhum dos nossos governantes, nem do Secretário de Segurança, para reconhecer a violência policial desmedida. Para dizer que ia coibir os abusos, para investigar quem matou na Maré. Pra tomar o pulso disso tudo de dizer que isso tem que parar. Muito pelo contrário: as declarações do Secretário de Segurança Mariano Beltrame sobre a chacina da Maré dão vontade de chorar. “Infelizmente encontramos uma situação de conflito na Maré, onde o Estado foi atacado e reagiu”, disse ele. E mais: “Não houve qualquer reação à manifestação: a polícia agiu para conter um crime”. Nada sobre o horror relatado pelos moradores, sobre as casas invadidas, as pessoas machucadas e aterrorizadas, impedidas de olhar para cima pelos representantes de uma ordem que só representa a eles mesmos. Nada sobre o transformador destruído a tiros, que deixou a Nova Holanda sem luz por dois dias. Nada sobre os mortos. O governador? Demorou dez dias para falar a respeito.
Maré
Só que quebraram vitrines no Leblon. Aí não. No Leblon não pode. Aí já é vandalismo, e toma reunião de emergência, e toma criação de Comissão Especial De Nome Ridículo. Sinto muito. Não dá para falar sobre o Leblon agora. Não antes de se falar da polícia. Dos governantes. Das pessoas que morreram, das pessoas que sofreram e continuam sofrendo com a violência cega e desmedida dessa polícia que, parece, é muito bem mandada.
Mas parece que, para a mídia dominante, só isso existe: as vitrines do Leblon tomaram conta do noticiário. O choro do empresário. As cenas dos cacos. Isso virou o centro de tudo, a justificativa de tudo. As vitrines do Leblon permitem tudo.
O Leblon que me desculpe: tenho outras prioridades. E acho que quem governa o Rio de Janeiro também deveria ter.
https://www.youtube.com/watch?v=r_l8OHiPRG8
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Revalida será aplicado a alunos do Brasil- g1
12/07/2013 09h01 - Atualizado em 12/07/2013 11h16
Revalida, exame para médicos de fora, será aplicado a alunos do Brasil
Teste é única porta de entrada para formados no exterior trabalharem aqui.
Hoje, Revalida reprova 91%. Inep quer saber como brasileiros se sairiam.
Ana Carolina Moreno e Vanessa Fajardo Do G1, em São Paulo
1140 comentários
O Ministério da Educação decidiu aplicar o Revalida, exame obrigatório para quem cursou medicina fora do Brasil poder atuar como médico no país, também para estudantes da carreira matriculados em instituições brasileiras, de acordo com pessoas ligadas à área médica ouvidas pelo G1.
Procurado, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) confirmou nesta quinta-feira (11) que uma edição do exame será aplicada para uma amostra de estudantes do sexto (e último) ano de cursos de medicina no Brasil como um "pré-teste", mas não detalhou quantos alunos farão a avaliação, de quais universidades, a data, nem se será um exame pontual ou permanente. O G1 apurou que a prova deve ser aplicada ainda neste semestre.
TAXA DE APROVAÇÃO NO REVALIDA SEGUNDO A NACIONALIDADE DOS CANDIDATOS INSCRITOS
País de origem Nº de inscritos Nº de aprovados
2011 2012 2011 2012
Venezuela 7 11 3 (43%) 3 (27%)
Cuba 16 16 3 (19%) 4 (25%)
Argentina 20 10 6 (30%) 2 (20%)
Peru 46 39 3 (6%) 5 (13%)
Colômbia 22 30 6 (27%) 3 (10%)
Brasil 393 560 31 (8%) 42 (7%)
Bolívia 119 156 4 (3%) 10 (6%)
Países da Europa 13 20 2 (15%) 4 (20%)
Outros países
da América Latina 35 38 2 (17%) 4 (10%)
Países da Ásia 3 1 0 (0%) 0 (0%)
Países da África 2 2 1 (50%) 0 (0%)
Países da América
do Norte 1 1 0 (0%) 0 (0%)
TOTAL 677 884 65 (10%) 77 (9%)
Fonte: Inep/MEC
Os novos médicos que serão contratados pelo programa anunciado pelo governo federal no dia 8 de julho, o "Mais Médicos", estarão dispensados do exame. Eles terão uma autorização temporária de três anos para exercer a medicina sem ter de validar o diploma no Brasil.
Como o índice de reprovação do Revalida é muito alto (veja tabela ao lado), a intenção do governo é aplicar entre os alunos brasileiros que estudam no país para testar habilidades e competências.
O Revalida é um exame nacional criado pelo Ministério de Educação que representa a porta de entrada tanto para estrangeiros quanto brasileiros que se formaram no exterior exercerem a medicina no Brasil. Ele é uma exigência para que o diploma seja válido no país.
Pelo exame, enquanto o médico não for aprovado e não obtiver a revalidação do diploma pelas instituições do ensino público, ele fica impedido de atuar no país. Se um médico for reprovado no Revalida, ele pode se inscrever para fazer o exame do ano seguinte.
Em 2012, 884 pessoas de várias partes do mundo se inscreveram para o Revalida, e apenas 77 (menos de 9%) conseguiram a aprovação no exame.
O Brasil respondeu pela grande maioria dos inscritos (560), mas apenas 7% dos candidatos foram aprovados. O país ficou na sexta colocação no ranking de índices de aprovação. Os países que obtiveram o maior êxito neste quesito foram Venezuela (27%) e Cuba (25%), apesar de o número absoluto de inscritos ter sido pequeno. Nenhum candidato com nacionalidade de países da Ásia, África ou América do Norte conseguiu passar na prova do MEC.
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Diplomas que mais ajudam no Revalida
Os dados do Inep sobre as provas aplicadas em 2012 indicam que os cursos de medicina de Portugal são os que melhor preparam os médicos para a aprovação no Revalida. No ano passado, dos oito diplomados no país incritos na prova, três conseguiram passar, o equivalente a 37%.
No lado oposto da tabela estão as universidades bolivianas, que expediram a maioria dos diplomas de quem se inscreveu no Revalida mais recente. Apenas 4% dos 411 inscritos na prova formados em instituições bolivianas conseguiram a permissão do governo federal para exercer a medicina no Brasil. (veja na tabela abaixo).
ÍNDICE DE APROVAÇÃO, SEGUNDO O PAÍS DE ORIGEM DO DIPLOMA DOS CANDIDATOS INSCRITOS
País de
origem
do diploma Nº de inscritos Nº de aprovados
2011 2012 2011 2012
Portugal 0 8 - 3 (37%)
Venezuela 16 15 4 (25%) 4 (26%)
Argentina 56 69 13 (23%) 14 (20%)
Espanha 16 26 0 (0%) 5 (19%)
Peru 45 33 5 (11%) 5 (15%)
Cuba 140 182 15 (11%) 20 (11%)
Colômbia 19 28 6 (32%) 3 (11%)
Paraguai 17 50 1 (6%) 2 (4%)
Bolívia 304 411 14 (5%) 15 (4%)
Outros países da Europa 18 21 2 (11%) 5 (24%)
Outros países da Am.Latina 42 37 5 (12%) 1 (3%)
Países da África 0 2 - 0 (0%)
Países da Ásia 2 1 0 (0%) 0 (0%)
Países da Am. do Norte 2 1 0 (0%) 0 (0%)
Fonte: Inep/MEC
A Venezuela ficou na segunda posição no ano passado. As instituições do país aprovaram 27% de seus estudantes que participaram da prova.
Entre os 26 candidatos que se formaram em medicina na Espanha, 19% conseguiram a aprovação. Na edição de 2011 do Revalida, porém, todos os 16 candidatos formados em instituições espanholas foram reprovados. Estudantes de instituições de outros dez países europeus não especificados pelo Inep tiveram índice de aprovação de 24%.
O Brasil não figura na tabela porque quem se formou no país não é obrigado a prestar o exame para exercer a profissão.
Padronização do teste
O exame foi criado em 2011 com o objetivo de unificar o processo de revalidação em consonância com as diretrizes curriculares nacionais dos cursos de medicina. Antes do Revalida, cada instituição de ensino superior estabelecia os processos de análise seguindo a legislação.
Segundo informações divulgadas no site do Inep, o exame cobra habilidades e competências das cinco grandes áreas da medicina: cirurgia; medicina de família e comunidade; pediatria; ginecologia-obstetrícia e clínica médica. Há níveis de desempenho esperados para as habilidades específicas de cada área.
O exame é aplicado em duas etapas: avaliação escrita, composta por uma prova objetiva, com questões de múltipla escolha, e uma prova discursiva. Numa segunda etapa, é realizada a avaliação de habilidades clínicas.
O médico e a ética
Mauro Santayana, blog: MauroSantayana
“Em 1956, conheci, na cidade do Serro, em Minas, o médico Antonio Tolentino, que era o profissional mais idoso ainda em atividade no Brasil. Ele chamava a atenção por dois motivos: coubera-lhe assistir ao parto de Juscelino, em 1902, e não alterara o valor da consulta, que equivalia, então, a cinco cruzeiros. Entrevistei-o, então, para a Revista Alterosa, editada em Minas e já desaparecida.
Em razão da matéria, o deputado federal Vasconcelos Costa obteve, da Câmara, uma pensão vitalícia da União para o médico, que morreu logo depois. Ele tinha, na época, 94 anos – e setenta de atividade. Seus descendentes criaram um museu, em sua casa e consultório. Uma das peças é o anúncio que fez, logo no início da carreira: “aos pobres, não cobramos a consulta”.
Confesso o meu constrangimento. Estou em idade em que dependo, e a cada dia mais, de médicos, e de bons médicos, é claro. Tenho, entre eles, bons e velhos amigos. O que me consola é que os meus amigos estão mais próximos da filosofia de vida do médico Antonio Tolentino, do que dos que saíram em passeata, em nome de seus direitos, digamos, humanos.
Mais do que outros profissionais, os médicos lidam com o único e absoluto bem dos seres, que é a vida. Os enfermos a eles levam as suas dores e a sua esperança. É da razão comum que eles estejam onde se encontram os pacientes – e não que eles tenham que viver onde os médicos prefiram estar.
De todos os que trataram do assunto, a opinião que me pareceu mais justa foi a de Adib Jatene. Um dos profissionais mais respeitados do Brasil, Jatene acresce à sua autoridade o fato de ter sido, por duas vezes, Ministro da Saúde. Ele está preocupado, acima de tudo, com a qualidade do ensino médico no Brasil. Se houvesse para os médicos exames de avaliação, como o dos bacharéis em direito, exigido pela OAB para o exercício profissional, o resultado seria catastrófico.
Jatene recomenda a formação de bons clínicos e, só a partir disso, a especialização médica. Os médicos de hoje estão dependentes, e a cada dia mais, dos instrumentos tecnológicos sofisticados de diagnóstico, e cada vez menos de seu próprio saber. O vínculo humano entre médico e paciente – salvo onde a medicina é estatizada – é a cada dia menor. Assim, Jatene defende o sistema do médico de família. Esse sistema permite o acompanhamento dos mesmos pacientes ao longo do tempo, e a prática de medidas preventivas, o que traz mais benefícios para todos.
Entre outras distorções da visão humanística do Ocidente, provocadas pela avassaladora influência do capitalismo norte-americano, está a de certo exercício da medicina e da terapêutica. A indústria farmacêutica passou a ditar a ciência médica, a escolher as patologias em que concentrar as pesquisas e a produção de medicamentos. A orientação do capitalismo, baseada no maior lucro, é a de que se deve investir em produtos de grande procura, ou, seja, para o tratamento de doenças que atinjam o maior número de compradores. Dentro desse espírito, a medicina, em grande parte, passou a ser especulação estatística e probabilística.
Os médicos protestam contra a contratação de profissionais estrangeiros, pelo prazo de três anos, para servir em cidades do interior, onde há carência absoluta de profissionais. Não seriam necessários, se os médicos brasileiros fossem bem distribuídos no território nacional, mesmo considerando a má preparação dos formados em escolas privadas de péssima qualidade, que funcionam em todo o país.
Ora, o governo oferece condições excepcionais para os que queiram trabalhar no interior. O salário é elevado, de dez mil reais, mais moradia para a família, e alimentação. É muitíssimo mais elevado do que o salário oferecido aos engenheiros e outros profissionais no início de carreira. Ainda assim, não os atraem. E quando o governo acrescenta ao currículo dois anos de prática no SUS, no interior e na periferia das grandes cidades, vem a grita geral.
Formar-se em uma universidade é, ainda hoje, um privilégio de poucos. Os ricos são privilegiados pelo nascimento; os pais podem oferecer-lhe os melhores colégios e os cursos privados de excelência, mas quase sempre vão para as melhores universidades públicas, bem preparados que se encontram para vencer a seleção dos vestibulares. Os pobres, com a ilusão do crescimento pessoal, sacrificam os pais e pagam caro a fim de obter um diploma universitário que pouco lhes serve na dura competição do mercado de trabalho.
Um médico sugeriu que a profissão se tornasse uma “carreira de estado”, como o Ministério Público e o Poder Judiciário. Não é má a idéia, mas só exeqüível com a total estatização da medicina. Estariam todos os seus colegas de acordo? Nesse caso não poderiam recusar-se a servir onde fossem necessários.
Temos, no Brasil, o serviço civil alternativo que substitui o serviço militar obrigatório, e é prestado pelos que se negam a portar armas. Embora a objeção possa ser respeitada em tempos de paz, ela não deve ser aceita na eventualidade da guerra: a defesa da nação deve prevalecer. Mas seria justo que não só os pacifistas fossem obrigados, pela lei,depois de formados pelos esforços da sociedade como um todo, a dar um ou dois anos de seu trabalho à comunidade nacional, ali e onde sejam necessários. Nós tivemos uma boa experiência, com o Projeto Rondon, que deveria ser mais extenso e permanente como instituição no Brasil.
As manifestações recentes mostram que todos, em seus conjuntos de interesses, querem mais do Estado em seu favor. Não seria o caso de oferecerem alguma coisa de si mesmos à sociedade nacional? Dois anos dos jovens médicos trabalhando no SUS – remunerados modestamente e com os gastos pagos pelo Erário – seriam um bom começo para esse costume. E a oportunidade de aprenderem, com os desafios de cada hora, a arte e o humanismo que as más escolas de medicina lhes negaram.”
quarta-feira, 10 de julho de 2013
PROTESTO CONTRA O ECHELON
Em 2001 escrevi o texto abaixo para a Revista Caros Amigos.
O texto continua atual.
Leiam abaixo.
PROTESTO CONTRA O ECHELON
Está marcado para o dia 21 de outubro o Dia Internacional Contra a Invasão de Privacidade.
É um protesto contra o Echelon, nome codificado do projeto secreto do governo dos Estados Unidos, que permite à sua Agência Nacional de Segurança (NSA) interceptar e monitorar todo tipo de comunicação eletrônica.
Haverá várias manifestações em todo o mundo.
Um relatório do Parlamento Europeu afirma que o "Echelon é um sistema global de vigilância, que se espalha por todo o mundo e tem como alvo todos os principais satélites Intelsat usados para a maioria das comunicações mundiais com telefones, Internet, e-mail e faxes, que são rotineiramente interceptados pela NSA".
E que "o Echelon foi concebido sobretudo para espionar governos, organizações e empresas em todos os países do mundo".
O Ministério da Defesa da França denunciou que agentes da NSA ajudaram a instalar chips de espionagem nos programas da Microsoft.
Isto significa controle das comunicações na Internet e a transformação dos computadores, sejam eles brasileiros, americanos ou iraquianos, em linha auxiliar do governo dos Estados Unidos.
A Microsoft contou com o apoio da NSA desde a sua fundação, inclusive financeiro.
Além disso, a NSA obrigou a IBM a aceitar o sistema operativo MS-DOS para operar com a administração norte-americana.
Em janeiro de 1994, o primeiro-ministro francês Edouard Balladur acertou com a Arábia Saudita a assinatura de um megacontrato de fornecimento de Airbus e de armamentos. Além do dinheiro oficial, haveria o barani (por fora).
O Echelon interceptou a oferta, Washington "protestou" (dizem que baranou mais) e o contrato acabou ficando com a McDonnell-Douglas.
O Brasil também não escapou da vigilância e novamente os franceses foram prejudicados.
Quando já davam como certo o fornecimento de radares para o Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM), novo “protesto” de Washington.
Teria sido tão substancial esse “protesto”, que estremeceu as relações entre o Brasil e a França, que viu a sua Thomson-CSF ser superada pela americana Raytheon.
Hoje, o Pentágono é o maior cliente da Microsoft no mundo.
Um pequeno exemplo do poderio do Echelon: Iyad Hardan, 30 anos, dirigente militar do Jihad Islâmico, foi localizado no norte da Cisjordânia e morto por uma explosão quando utilizava um telefone público.
Outro palestino, Yahya Ayyash, do Hamas, teve o mesmo fim. Seu telefone celular explodiu quando fazia uma ligação.
O assassinato desses dois palestinos foi um favor prestado aos dirigentes israelenses, defensores incondicionais do Echelon.
Foi também um recado a organizações não-governamentais como as pacifistas Anistia Internacional, Ajuda Cristã, Médicos-Sem-Frontreiras e Repórteres do Mundo, entre outras, que não gozam da simpatia do Pentágono.
Além da sede central em Fort Meade, o Echelon possui bases em Yakima (200 quilômetros a sudoeste de Seattle) e Sugar Grove (250 quilômetros a sudoeste de Washington).
Fora dos Estados Unidos, opera no Canadá, em Morwenstow (Cornualha britânica), Waihopai (Nova Zelândia) e Geraldton, no Oeste da Austrália.
Daí o sugestivo título de "rede de espionagem dos anglo-saxões".
O Echelon possui a capacidade de decodificar e gravar mais de dois milhões de conversas políticas, industriais e pessoais por hora em qualquer lugar do planeta.
Existem palavras-chave que, ao ser captadas, são encaminhadas a computadores de decodificação, denominados "dicionários Echelon".
E são palavras como as que seguem abaixo que os defensores da privacidade pedem para utilizar no dia 21 de outubro para congestionar o Echelon: Anistia Internacional, OLP, revolução, terrorismo, carta-bomba, carro-bomba, ETA, Hamas, Hizbullah, IRA.
O texto não precisa ser coerente. Existem também inúmeras palavras na área econômica, mas aí cada país precisa especificar a sua. No Brasil, por exemplo, temos o caixa-dois, propina, molhar a mão, xexeta, Cayman, Amazônia etc.
OBS. Se há 11 anos era assim, imaginem hoje..
Lab
"The Lab", do diretor Yotam Feldman, mostra como guerras ajudam no aumento das vendas de armamentos do país
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O documentário The Lab (O Laboratório, em tradução livre), do diretor israelense Yotam Feldman, expõe a alta lucratividade dos "testes" realizados pelo Exército de Israel nos territórios palestinos, para a indústria militar do país.
De acordo com o filme, realizado com o apoio do canal 8 da TV israelense, a cada operação militar, novas armas são testadas, gerando um aumento direto das vendas no mercado internacional.
Guila Flint/Opera Mundi
O diretor do documentário vê as guerras como uma fonte de lucro, e não como um peso para Israel
Feldman, de 32 anos, trabalhou três anos e meio para produzir o filme, de 58 minutos, no qual entrevista figuras-chave da indústria bélica israelense.
Alguns dos personagens são militares da reserva e outros são exportadores e empresários. Todos falam abertamente sobre seu ramo de trabalho e expõem visões de mundo diversas.
"Quis fazer um filme sobre esse assunto, que é duro, mas sem cair nos clichês", disse Feldman a Opera Mundi. "Escolhi os personagens que me pareceram mais sinceros e que foram capazes de falar com mais desenvoltura sobre seus negócios.”
Segundo o diretor, durante a pesquisa para fazer o filme, ele se convenceu de que "a prosperidade da economia israelense não ocorre apesar das guerras, mas sim, em grande parte, em decorrência das guerras".
"Na minha pesquisa descobri que, do ponto de vista econômico, as guerras não são uma carga, mas uma fonte de lucro.”
Feldman explica que não há necessariamente uma relação de causalidade entre a motivação para as guerras e os lucros econômicos, ou seja, ele não afirma que Israel inicia guerras supostamente para obter benefícios financeiros.
"Apenas constato que, após cada guerra, na qual são testadas novas armas, as vendas dessas armas aumentam e os lucros são muito grandes", disse.
"Hipocrisia"
Um dos personagens principais do documentário, o general Yoav Galant, aponta o que chama de "hipocrisia" da comunidade internacional.
"Eles denunciam as operações militares de Israel, mas depois todos vêm aqui comprar nossas armas", afirma Galant, que foi chefe do Comando Sul do Exército de Israel e um dos principais planejadores da chamada Operação Chumbo Fundido, que deixou cerca de 1.400 palestinos mortos na Faixa de Gaza e 13 mortos do lado israelense.
Depois dessa ofensiva, que começou em dezembro de 2008 e terminou em janeiro de 2009, as exportações de armas israelenses para dezenas de países aumentaram em 2 bilhões de dólares.
Hoje em dia as vendas do setor bélico são calculadas em 7 bilhões de dólares, o que representa cerca de 20% do total das exportações israelenses.
De acordo com Ehud Barak, que foi ministro da Defesa de 2007 a 2013, cerca de 150.000 famílias em Israel (quase 1 milhão dos 8 milhões de habitantes) se sustentam da indústria militar.
"De certa forma, toda a sociedade israelense sai ganhando com a exportação militar, que, por sua vez, ganha credibilidade com os 'testes' realizados nas guerras", afirma Feldman, que também menciona o fato de muitos dos fundos de pensão no país investirem nas ações sólidas de empresas militares.
Em um dos trechos do filme, o ex-ministro da Defesa Binyamin Ben Eliezer afirma que outros países "gostam de comprar armas que já foram testadas, nossa experiência traz bilhões de dólares para Israel".
"Se algum dia tivermos paz e perdermos o 'laboratório' em Gaza e na Cisjordânia, com certeza esses lucros vão se reduzir significativamente", disse Feldman.
Segundo a revista britânica especializada em assuntos militares, a Jane's IHS, Israel é o sexto exportador de armas do mundo e, desde 2008, o volume de negócios do país nesse setor aumentou em 74%.
Filosofia militar
Outro personagem do documentário é o filósofo militar Shimon Naveh. Naveh colabora no planejamento estratégico "filosófico" do Exército de Israel e foi um dos autores do que chamou de tática "fractal" na ocupação da Kasbah (centro histórico) da cidade palestina de Nablus, na Cisjordânia, em 2002.
Em abril daquele ano, depois de uma onda de atentados suicidas nas grandes cidades israelenses, o governo, então chefiado pelo ex-primeiro-ministro Ariel Sharon, resolveu reocupar todas as cidades palestinas que haviam sido entregues à Autoridade Palestina, comandada por Yasser Arafat.
O plano "fractal" do filósofo Naveh consistiu em ocupar o centro antigo de Nablus, com suas ruelas estreitas, por intermédio da invasão das casas palestinas, sendo que a passagem de uma casa a outra foi feita através de buracos detonados por explosivos nas paredes.
Segundo Naveh, com essa tática o Exército israelense conseguiu surpreender e derrotar os combatentes palestinos que haviam se preparado para uma invasão pelas ruas.
"Viramos o jogo", disse Naveh, "deixamos as ruas vazias e entramos pelas paredes".
De acordo com Naveh, esse e muitos outros métodos são ensinadas por treinadores israelenses a oficiais de muitos exércitos do mundo que vêm aprender em Israel.
Treinamento israelense para o BOPE
Um dos maiores importadores da indústria militar israelense é o Brasil. De acordo com Feldman, o Brasil compra aviões não tripulados, mísseis e programas de treinamentos especializados de empresas israelenses, tanto privadas como estatais.
Um dos principais exportadores para o Brasil é o israelense-argentino Leo Gleser, que esteve envolvido no treinamento do BOPE antes da pacificação das favelas do Rio de Janeiro.
Gleser diz que tenta transformar a venda de armamentos em "um pacote menor e menos fedorento"
"A semelhança física entre as Kasbas (centros históricos) das cidades palestinas e as favelas brasileiras é muito grande", disse Feldman. “Os campos de refugiados palestinos, com suas ruelas estreitas, também são muito parecidos com as favelas".
"Portanto, a experiência de Israel nos territórios palestinos é relevante para o BOPE".
Parte do filme se passa no Complexo do Alemão, onde Leo Gleser é visto sendo calorosamente recebido por oficiais brasileiros que confirmam ter sido treinados por empresas israelenses.
Em uma das cenas, o exportador toma uma caipirinha com Feldman em um bar no Rio de Janeiro. O diretor lhe pergunta se ele não sente alguma contradição entre seu duro ramo de negócios, "que mata muita gente", e seu caráter simpático, "como pai e avô carinhoso".
Gleser retruca com perguntas: "Você acha que a vida é uma caixa de bombons? Quando você era pequeno sua mãe não limpava seu cocô?".
"Eu não crio a merda, apenas trabalho para transformá-la em um pacote menor e menos fedorento", acrescentou.
Ironia
O documentário também tem uma dose sutil, porém significativa, de ironia. Em uma das cenas, um dos empresários se vangloria de que cada míssil que vende no mercado internacional "vale um apartamento em Tel Aviv" (os preços dos imóveis na cidade estão entre os mais altos do mundo).
Nesse momento, Feldman responde: "mas cada míssil desses também pode destruir um apartamento em Tel Aviv".
"Acho que a ironia, que faz parte de mim, de certa forma facilita olhar para essa realidade, cujos conteúdos são duros", disse Feldman.
De acordo com o diretor, todos os personagens do filme já tiveram a oportunidade de ver o resultado final e "nenhum deles se arrependeu de ter participado".
"Os personagens que entrevistei concordaram em abrir seu mundo perante a câmera, dando ao público uma oportunidade inédita de conhecer de perto uma realidade que geralmente fica apenas nos bastidores", concluiu.
terça-feira, 9 de julho de 2013
Submissão e servilismo
Alcântara, explosão até hoje não esclarecida
Submissão e servilismo aos espiões não!
João Vicente Goulart*
É de uma imensa falta de soberania o não esclarecimento imediato a nossa população o que faz uma base da NSA americana (National Security Agency) na capital de nosso país, em nossas barbas , em nossa casa, monitorando nosso governo, nossos planos militares, nossas estratégias e o pior, fazendo de bobo o povo brasileiro ao querer convencer- nos de que isto é normal em um país democrático? Nossa embaixada em Washington é “target” prioritária?
Agora sabemos que o monitoramento se dá através de satélites por nós alugados dos nossos soberanos imperialistas que como quer convencer o embaixador Shannon é um monitoramento corriqueiro, em explicação ao nosso ministro Paulo Bernardo. Ridículo se não fosse grave.
Será que para entender isto temos que voltar a agosto de 2003, onde a explosão até hoje não esclarecida pegou o Brasil e o Governo Lula de surpresa quando misteriosamente explodiu nossa base militar de Alcântara três dias antes do lançamento de nosso foguete transportador de um satélite brasileiro? Sabe-se que dias antes mais de 20 “turistas americanos” estavam há dias nas pequenas pousadas de Alcântara, subitamente despertada para tão grande movimentação turística americana? Onde foi parar a investigação daquele fato?
É sabido a aversão que os americanos desenvolvem com quem quer ter a tecnologia de lançamento e construção de satélites própios, mas o que diz nosso governo? Vamos fazer um protesto através da nossa chancelaria e pedir explicações ao embaixador americano pensando que vamos ter um esclarecimento claro como merece nossa soberania? Ou teremos uma desculpa espalhafatosa e ficar por isso mesmo?
Nossa tecnologia espacial foi para o espaço com o custo da perda de 21 dos melhores técnicos e engenheiros aeroespaciais que tínhamos atrasando em décadas nosso próprio satélite de comunicações e nós, mesmo sem apurar o que aconteceu, se foi ou não um atentado de sabotagem, passamos a usar através de aluguel satélites americanos para nossas comunicações e deixamos para lá as investigações de quem foram os sabotadores?
Não custa lembrar que o Governo FHC quase transfere essa base de Alcântara aos americanos e graças a um relatório do então Deputado Waldir Pires o Congresso soberanamente após ver o absurdo daquela operação onde o Brasil não poderia sequer entrar nas dependências da mesma optou por rejeitar aquele crime de “lesa-pátria” que se estava cometendo.
E hoje? Que respondemos ao Tio Sam? Vamos romper o contrato que mantemos com eles e os seus satélites ou vamos pedir ao mexicano Slim que nos empreste os dele para nossos planos estratégicos, sejam eles militares, de comunicação ou segurança de nossas fronteiras?
E depois ainda tem gente que defende a privatização de tudo, inclusive de nossa soberania...
*João Vicente Goulart
Diretor do IPG- Instituto Presidente João Goulart
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