segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Como Nossos Pais

Não quero lhe falar,
Meu grande amor,
Das coisas que aprendi
Nos discos...
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa...
Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens...
Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço,
O seu lábio e a sua voz...
Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva
Do meu coração...
Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais...
Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando...
Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem...
Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo,
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais...


Tragédia!
Uma sociedade consumista e hedonista produz mortes diárias de jovens que não controlam o álcool e saem em desabaladas carreiras, em geral, nas madrugadas de sábado e domingo. Todo fim de semana a mesma rotina se repete. Quando não são os baladeiros são outros jovens inocentes, certinhos no comportamento social, as vítimas deste holocausto.

E quase todo mês, execuções em alguma escola dos Estados Unidos. A morte cobra dos jovens seu preço.

Nada desta catástrofe se parece com o que aconteceu sábado em uma boate em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Mais de 230 jovens universitários morreram, a maioria por asfixia, além de outros 80 gravemente feridos em vários hospitais.

 Reli novamente a postagem que ofendeu tanto o LC, fico louco. E lá está uma crítica ao trote idiota, sem nexo, sem sentido, como são estas festas regadas a cerveja, música que nada tem a ver com cultura, com reflexão, que servem apenas para diversão. Uma sociedade como esta que aí está, que busca sempre e a todo momento acumular bens materiais, onde tudo vira mercadoria, onde a pessoa vira consumidora, cliente, um número de cpf, outro de rg. As pessoas se refugiam, ou melhor, fogem da realidade dura, vazia como é vazio um deserto, e desesperados procuram numa cerveja, numa balada, na droga, algo para esquecer os males do mundo. Qual é a diferença destes jovens com os da cracolândia a menos na intensidade desta fuga.

Ganhar, ganhar sempre, ser um vencedor. Ter sempre mais e mais. Poder, dinheiro, amigos, não interessa se falsos ou não. O brilho falso enganou Fernão Dias, como a pirita engana muitos tolos. A mercadoria, o consumo pelo consumo, como a pirita frusta todos que a procuram. Ela, a mercadoria, é o diabo que compra a alma dos Faustos, que ao final se desesperam.

Não, não defendo uma sociedade sem festas, sem alegria, porque a vida é alegria. Alegria de dar e receber.

A minha geração morreu lutando para que não acontecesse isso. Preferimos morrer a viver de joelhos, ou cegos ao senhor capital.

Quero prestar homenagem aos colegas da física da USP, José Arantes de Almeida, Jeová Assis Gomes, Ichiro Nagami, Lauriberto José Reyes, Wilson Silva, Luis Carlos de Almeida, morto no Chile, Ramon Valera Ortiz, morto na Nicaraguá. Todos tragados pela longa noite que se abateu sobre este país. E a Ottoni Guimarães Fernandes Jr. que morreu no dia 03/janeiro/2013 e que passou 7 anos preso.

 A vocês que me ensinaram a sonhar e lutar, que me ensinaram a ser digno e honesto, pois sabíamos que se não tivéssemos confiança em nós e em nossos companheiros não nos moveríamos porque éramos caçados como inimigos públicos número um do regime, honra e glória eternas!

Vida eterna à minha comandante Sonia, Maria Augusta Thomás, assassinada em Rio Verde - Goiás juntamente com Márcio Leite Toledo cujo corpo nunca foi entregue à família. 40 anos, e seus ossos até hoje assombram os torcionários. Seu pai já faleceu sem poder orar em sua campa, sua mãe está cada vez mais debilitada. Por que tanto temem um cadáver. Por que não devolvem seus ossos à sua mãe?

E, vendo tantos jovens morrendo em guerras sem sentido, jovens matando jovens, jovens morrendo e vivendo num mundo sem ideal, jovens que ficaram velhos, antes de beberem a felicidade de sentir a vida, em sua plenitude, que só pode acontecer quando se tem um ideal de dividir com a humanidade nossas alegrias, nossos ideais, nossos bens.

28 de janeiro de 2013

André Tsutomu Ota - Bio da ALN - MOLIPO



"Blog do Espaço Literário": Uma Visita Esperada

"Blog do Espaço Literário": Uma Visita Esperada: Um conto sobre a "indesejável das gentes"     Um velho não se vê no espelho próprio de seu tempo. A imagem que possui de si ainda é...

Santayana: A civilização que conhecemos com os dias contados?


publicado em 27 de janeiro de 2013 às 10:32

Ministro das Finanças do Japão, Taso Aro, aconselhou os idosos a morrerem logo, a fim de resolver o problema da previdência social

por Mauro Santayana, em seu blog

(HD) – A ciência prolonga a vida dos homens; a economia liberal recomenda que morram a tempo de salvar os orçamentos. O Ministro das Finanças do Japão, Taso Aro, deu um conselho aos idosos: tratem logo de morrer, a fim de resolver o problema da previdência social.

Este é um dos paradoxos da vida moderna. Estamos vivendo mais, e, é claro, com menos saúde nos anos finais da existência. Mas, nem por isso, temos que ser levados à morte. Para resolver esse e outros desajustes da vida moderna, teríamos que partir para outra forma de sociedade, e substituir a razão do “êxito” e da riqueza pela ética da solidariedade.

Ocorre que nem era necessário que esse senhor Taso Aro – que, em outra ocasião, ofereceu o Japão como território seguro para os judeus ricos do mundo inteiro – expusesse essa apologia da morte. A civilização de nosso tempo, baseada no egoísmo, com a economia servidora dos lucros e dos ricos, e, sobretudo, dos banqueiros, é, em si mesma, suicida.

É claro que, ao convidar os velhos japoneses a que morram, Aro não se refere aos milionários e multimilionários de seu país. Esses dispensam, no dispendioso custeio de sua longevidade, os recursos da Previdência Social e dos serviços oficiais de saúde de seu país. Todos eles têm a sua velhice assegurada pelos infindáveis rendimentos de seu patrimônio.

Os que devem morrer são os outros, os que passaram a vida inteira trabalhando para o enriquecimento das grandes empresas japonesas e multinacionais. Na mentalidade dos poderosos e dos políticos ao seu serviço, os homens não passam de máquinas, que só devem ser mantidos enquanto produzem, de acordo com os manuais de desempenho ótimo. Aso, em outra ocasião, disse que os idosos são senis, e que devem, eles mesmos, de cuidar de sua saúde.
Não podemos, no entanto, ver esse desatino apenas no comportamento do ministro japonês, nem em alguns de seus colegas, que têm espantado o mundo com declarações estapafúrdias. O nível intelectual e ético dos dirigentes do mundo moderno vem decaindo velozmente nas últimas décadas. Não há mistério nisso. Os verdadeiros donos do mundo sabem escolher seus serviçais e colocá-los no comando dos estados nacionais.
São eles, que, mediante o Clube de Bielderbeg e outros centros internacionais desse mesmo poder, decidem como estabelecer suas feitorias em todos os continentes, promovendo a ascensão dos melhores vassalos, aos quais premiam, não só com o governo, mas, também, com as sobras de seu banquete, em que são servidos, além do caviar e do champanhe, o petróleo e os minérios, as concessões ferroviárias e nos modernos e mais rendosos negócios, como os das telecomunicações.

A civilização que conhecemos tem seus dias contados, se não escapar desses cem tiranos que se revezam no domínio do mundo.

domingo, 27 de janeiro de 2013

RACISMO NUM SITE DE MATERNIDADE

sábado, 26 de janeiro de 2013

GUEST POST: RACISMO NUM SITE DE MATERNIDADE

A Luiza, uma produtora teatral, me enviou uma ótima reflexão sobre um caso que rendeu muitas críticas esta semana. 
Na quinta, o site de uma maternidade publicou um post com o título "Minha filha tem o cabelo muito crespo. A partir de qual idade posso alisá-lo?". Escrito por uma empresa terceirizada, o site nem tocou na questão de que não há absolutamente nada de errado em ter cabelo crespo. Pra contrastar com a foto da menininha negra, no cabeçário do site vemos uma família branquinha e feliz.
Depois de vários protestos nas redes sociais (e depois dizem que ativismo de sofá não é importante), o site removeu o post. Fica o texto da Luiza:

Li aqui algumas vezes posts sobre racismo e sobre como isso agride pessoas (especialmente mulheres).
Eu sou branca, beeeem branca e tenho o cabelo muito liso e muito fino. Cresci ouvindo mulheres que diziam ter inveja do meu cabelo. E, claro, como nunca estamos felizes com aquilo que temos, meu sonho é ter cabelos volumosos e cacheados. Acho as mulheres negras estonteantes. Eu acho essa minha cor de lagartixa muito sem graça, pouco charmosa. Sei que é possível que se eu tivesse nascido diferente do que sou, e tivesse desde a infância aturado preconceitos e bullying racistas, talvez não pensasse dessa forma e vivesse alisando o cabelo.
Hoje [dois dias atrás, mas a Luiza escreveu isso no momento, antes do site ser retirado] vi um post no site de uma maternidade. O texto é pequeno em comprimento e imenso em estupidez, ignorância e preconceito. Em tese, serve como um alerta para a saúde das crianças que terão seus cabelos "crespos ou rebeldes demais" alisados. Ao ler, esperava que houvesse (para dizer o mínimo) algum questionamento do porquê de as mães terem a necessidade de alisar cabelos de bebês e crianças. Ao invés disso, me deparei com a seguinte frase: "Com a adesão cada vez maior às técnicas de alisamento, algumas mães recorrem a essas alternativas para deixarem as crianças mais bonitas." O que isso quer dizer? Meninas de cabelos crespos e rebeldes são não-tão-bonitas assim?
Ao invés de tentar conscientizar as mães, o texto da maternidade dá respaldo a esse comportamento e ainda assina embaixo de que as crianças de cabelos não-lisos poderiam ficar mais bonitas, caso suas cabeleiras não fossem como são. E, pra completar, em seguida fornece as opções de escova e de alisamentos que podem ser feitos em crianças, segundo eles, "sem causar danos".
Eu gostaria muito de saber desde quando a maternidade passou a ter, além dos médicos e obtetras, especialistas em estética infantil. Tenho certeza de que a maternidade não se acha racista, mas que apenas está zelando pela saúde das crianças, as quais teriam seus cabelos alisados de qualquer maneira pelas mães, que também querem o melhor para suas filhas -- ou seja, que querem que suas crianças sejam "mais bonitas" e que não sofram com a sociedade que não aceita o cabelo das mulheres de origem negra. 
Mas o texto da maternidade em momento algum questiona o porquê de sofrer por ter um cabelo crespo. É motivo para sofrer? Que tal questionar por que o sofrimento e a dor do alisamento, das escovas e das químicas, é preferível ante o sofrimento psicológico de não se enquadrar numa estética imposta e que não condiz com a realidade?
A meu ver, as mães que se perguntam "Minha filha tem o cabelo muito crespo. A partir de qual idade posso alisá-lo?" devem ter sofrido com seus cabelos ou são incapazes de reconhecer a beleza que a mídia, não declaradamente, não aprova.
Isso me lembra o vídeo "The colour of beauty", que vi aqui no seu blog, sobre como a indústria da moda não aceita mulheres negras e, quando aceita, são mulheres de traços caucasianos "tingidas" com a cor negra. Em um dado momento, a modelo chega ao casting que seleciona meninas para a semana de moda de NY e o produtor diz que as modelos negras tendem a ter mais curvas e "a little wild hips" ("quadris um pouco selvagens"; acho que nem preciso comentar a parte do "selvagens".
[Luiza, acho que precisa explicar, porque tem gente que nunca pensou no assunto: vemos poucas modelos negras na mídia, mas, em geral, quando elas aparecem, muitas vezes vêm associadas a algo animalesco, selvagem, que precisa ser domado. A questão de alisar o cabelo vai na mesma linha: equivale a querer domá-lo, pacificá-lo, dominá-lo, e a querer fazer o mesmo com a dona do cabelo].
Na minha livre tradução, o que esse produtor realmente quer dizer é "mulheres negras não foram feitas para o mundo da moda" ou "o mundo da moda não é feito e não se importa com as mulheres negras". Ele também diz que nunca ouviu "não queremos uma modelo negra", mas que já ouviu "queremos uma modelo negra, mas a modelo negra certa". Ou seja, como disse um cliente dele, "precisamos de uma modelo negra, MAS ela precisa ser uma menina branca banhada de chocolate".
Na minha opinião, querer uma modelo negra que pareça ser branca não é menos racista do que só aceitar modelos caucasianas. É um jeito de dizer "viu só? Nós não somos racistas, temos até uma modelo negra no nosso porfólio!" E a própria modelo do documentário diz que as grifes parecem fazer isso: contratar uma modelo negra só para despistar as acusações de preconceito.
O post da maternidade não é um caso isolado de racismo travestido de "dica de beleza". Ele apenas reproduz um comportamento típico da sociedade, o comportamento das mães que não aceitam a si mesmas e, portanto, também não aceitam o cabelo natural de suas filhas; o comportamento da indústria fashionista que só vende um padrão de beleza com a desculpa de que a cor negra não vende ou que negros não querem comprar determinados produtos (a fácil saída de "não é que a gente seja racista, é que o público negro não é nosso alvo").
No documentário um fotógrafo ainda diz "ninguém quer investir em uma modelo negra para fazer Gucci, Prada ou Valentino. Porque elas são negras, e negras não vendem. O dinheiro é verde, e os brancos é que têm dinheiro. Pessoas brancas comprarão de pessoas brancas."
É um ciclo vicioso e venenoso:
Brancos compram de brancos, porque modelos negras não vendem -> modelos negras não vendem porque negras não são o alvo da indústria -> negras não são público-alvo do mundo fashionista por terem "certos traços", como "quadris selvagens" -> "certos traços" não fazem parte do mundo da moda -> "certos traços" não fazem parte do mundo da moda, então a moda não é feita para mulheres com "certos traços" -> mulheres com "certos traços" só consomem uma mídia caucasiana, livre daqueles "certos traços" -> a mídia é caucasiana porque as mulheres negras tendem a ter "certos traços" que são um "problema de ajuste" no mundo da moda -> mulheres caucasianas se encaixam no mundo da moda por não terem "problemas de ajuste" -> mulheres "sem problemas de ajuste" vendem -> mulheres caucasianas, que não têm "problemas de ajuste", continuam comprando de caucasianos sem "certos traços".
Para mim a questão é: brancos e negros compram de brancos por não terem sequer a opção de ter um produto vendido por uma modelo negra, aquela que tem "problemas de ajuste" por causa dos "certos traços", como "quadris selvagens" e "cabelos crespos e rebeldes demais".
Me parece que, no que diz respeito à indústria da moda e à mídia, antes da ética e do bom senso, o que mais pesa ainda está nas mãos do consumidor. A mídia e o mundo fashion têm um papel de extrema importância na perpetuação do racismo, e de uma maneira muito sorrateira, que atinge diretamente o subconsciente do público em geral. Mas a indústria precisa servir ao público que tem. Acho que é trabalho de cada um entender quais as atitudes que podemos adotar como consumidorxs para ter uma mídia e uma indústria da moda menos racistas. Mas se a indústria fashion dita comportamento, como conscientizar os consumidorxs a mudar seu comportamento?
Não sei as respostas, e nem acho que seja a única solução -- afinal, educação, incentivo à cultura e projetos de conscientização são ferramentas mais do que valiosas. Talvez o mero  questionamento já seja um caminho.

Dieta com alimentos do Brasil reduz risco cardíaco


FERNANDA BASETTE - Agência Estado
A ideia é simples: substituir os alimentos da dieta mediterrânea por ingredientes brasileiros, mais baratos, respeitando as características regionais do País. Foi assim que nasceu a dieta cardioprotetora brasileira, num projeto do Hospital do Coração (HCor) em parceria com o Ministério da Saúde.
Os resultados, publicados em dezembro na revista científica Clinics, são otimistas: mostraram que os pacientes que receberam a dieta adaptada conseguiram perder peso e reduzir os índices de pressão arterial, a glicemia, o triglicérides e o índice de massa corporal (IMC).
Pacientes dos grupos-controle, que receberam a dieta mediterrânea, também melhoraram os índices, mas de maneira menos intensa. Agora a pesquisa será ampliada e realizada em 40 hospitais do Brasil, exclusivamente com pacientes do SUS.
A dieta mediterrânea é reconhecida por seu efeito protetor ao coração. Ela é composta por alimentos típicos de países banhados pelo Mar Mediterrâneo e baseada no alto consumo de peixes, frutas, legumes, cereais e azeite. Também estimula o consumo moderado de vinho.
Como parte desses alimentos é importada e cara para a população em geral, a proposta do ministério ao HCor foi a de criar um cardápio que conseguisse adaptar a dieta mediterrânea aos hábitos alimentares brasileiros, especialmente às pessoas das classes C e D, e testar se essa adaptação promoveria o mesmo efeito cardioprotetor.
"Essa é uma dieta direcionada para um público mais vulnerável, por isso precisava de uma abordagem especial. A gente espera aumentar a adesão por ser financeiramente mais acessível, já que valoriza alimentos regionais", diz Eduardo Fernandes Nilson, coordenador-substituto de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde.
A equipe de nutricionistas do HCor adaptou mais de cem receitas à realidade brasileira: salmão e atum foram trocados por pescada e sardinha; azeite extravirgem por óleo de soja; nozes por castanhas do Pará; queijo branco no lugar do amarelo; e leite desnatado em vez de integral.
"Temos grande diversidade de legumes, verduras, frutas e peixes. Selecionamos esses alimentos, disponíveis no Brasil inteiro, e adequamos para uma dieta", afirma Maria Beatriz Ross, nutricionista do Hcor.
Bandeira do Brasil
O cardápio adaptado contempla todos os tipos de alimentos. O diferencial é que eles foram divididos em três cores, de acordo com a bandeira brasileira: verde (frutas, verduras, legumes e desnatados), amarelo (pães, massas, arroz e batata) e azul (carnes, peixes e aves). A ideia é pensar na bandeira na hora de montar o prato, respeitando a proporção das cores.
"Alimentos do grupo verde devem ser consumidos em maior quantidade, os amarelos de forma moderada e os do grupo azul em menor quantidade. Usamos a bandeira como referência para facilitar o entendimento e a adesão dos pacientes", diz Beatriz.
Para iniciar o projeto-piloto, o hospital selecionou 120 pacientes após evento cardiovascular. Eles foram divididos em três grupos: um recebeu a dieta adaptada e orientação da nutricionista toda semana; outro recebeu a dieta mediterrânea e orientação semanal; e o último recebeu dieta mediterrânea e acompanhamento nutricional mensal.
Eles foram monitorados por três meses. "A ideia era avaliar os efeitos bioquímicos nos pacientes que receberam a dieta adaptada e descobrir a influência do acompanhamento da nutricionista no processo", diz.
Segundo Beatriz, os resultados da fase-piloto são animadores porque mostram redução dos fatores de risco em todos os pacientes do grupo que recebeu a nova dieta. "O número de pessoas com sobrepeso e obesidade no grupo que teve a intervenção da dieta adaptada caiu, o que não aconteceu de maneira significativa nos outros grupos."
A redução da pressão arterial também surpreendeu as pesquisadoras. "Todos tomam medicação para controlar a pressão. Ainda assim, os índices melhoraram, o que mostra que uma alimentação saudável e acessível pode ajudar a pessoa a reduzir o uso de remédios", avalia.
Carlos Magalhães, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), apoia a proposta. "Por enquanto, a dieta mediterrânea é a que mostra melhores resultados na prevenção de eventos cardiovasculares. Se conseguirmos adaptá-la à nossa realidade, será muito mais fácil conseguir a adesão da população", diz. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

sábado, 26 de janeiro de 2013

FIESP e a tarifa elétrica

Bruxas na noite



26.Jan.13 :: Outros autores
 
 Publicado em ODiario.info
Entre as múltiplas faces do heroísmo manifestado pelo Exército Vermelho no decurso da 2ª Guerra Mundial – a Grande Guerra Pátria – existem muitos rostos de mulher, nomeadamente das mulheres piloto da aviação soviética. Devem ser recordadas não apenas como heroínas, mas também como exemplos de conquista da igualdade, que apenas a sociedade socialista poderá efectivamente concretizar.

“Para nós era simplesmente incompreensível que os pilotos soviéticos que nos criavam tantos problemas fossem … mulheres. Estas mulheres não temiam nada: vinham, noite após noite, nos seus desajeitados aviões e não nos deixavam dormir”.
(Hauptmann Johannes Steihoff, piloto de guerra nazi)
A Alemanha invade a União Soviética a 22 de Junho de 1941, e boa parte da aviação soviética foi destruída nos primeiros momentos. Enquanto os aviões nazis continuam a dominar os céus, milhares de jovens, muitos membros dos clubes civis de aviação, acorrem a alistar-se para lutar contra os ataques fascistas.
Muitas eram mulheres e depararam-se com uma rejeição inicial, mas em Outubro de 1941 já estavam, como recrutas, a treinar na base aérea do povo de Engels, a norte de Stalingrado. Sob as ordens da sua instrutora, a Major das Forças Aéreas Soviéticas Marina Raskova, as futuras aviadoras começaram a treinar.
Enfrentaram muitas dificuldades, a primeira das quais foi a desconfiança e desdém de alguns dos seus companheiros, que consideravam que eram de fiar e que, inclusivamente, recusavam voar juntamente com elas. Além disso, os uniformes estavam feitos para homens, e houve que fazê-los de novo para que elas os pudessem vestir; o mesmo aconteceu com as botas, que tiveram que ser cheias com papel de jornal para que se adaptassem ao pé, normalmente mais pequeno, das combatentes. Em muitos casos também os aviões tiveram de ser modificados pois as novas recrutas não chegavam aos pedais. E ainda tiveram que cortar o cabelo até um máximo «de duas polegadas», quando em muitas regiões da URSS era tradição deixá-lo crescer até à cintura. Embora nos nossos dias possa parecer trivial uma mulher cortar o cabelo muito curto, em 1941 isso revelava um compromisso total.
Treinavam mais de dez horas por dia, pois com as tropas alemãs a avançar na Frente Oriental, tinham que aprender em dias o que outros se podiam dar ao luxo de aprender em meses ou anos.
Depois de seis meses de duríssimos treinos, Marina Raskova enviou as jovens recrutas para a linha da frente em três regimentos: o 586º de Caças, o 587º de Bombardeamento e o 588º de Bombardeamento Nocturno.
As mulheres do 588º pilotavam aviões Polikarpov U-2, biplanos desenhados originalmente para treino e fumigação, que só tinham capacidade para duas bombas (pelo que tinham de fazer várias viagens) e não podiam comparar-se nem em velocidade nem em potência de fogo com os aviões alemães.
No entanto, rapidamente se tornaram num pesadelo para os aviadores nazis.
As combatentes do 588º mostravam grande capacidade de manobra dos U-2 e combinavam-na com tácticas extremamente arriscadas. Apareciam de noite, com o motor desligado para não serem detectadas pelo som, e faziam bombardeamentos de precisão e de fustigamento contra o exército alemão. Em combate contra os aviões nazis, estas aviadoras costumavam pôr-se no campo de tiro dos alemães enquanto as suas companheiras aproveitavam a distracção para apontar aos alvos.
Devido à sua habilidade e astúcia, e à ferocidade dos ataques, os soldados nazis começaram a chamá-las Nachthexen: as «Bruxas na Noite».
Em Fevereiro de 1943, o 588º Regimento reorganizou-se dentro do 46º Regimento de Aviação de Bombardeamento Nocturno, que em Outubro de 1943 era conhecido como a «Guarda de Taman», pelas vitórias conquistadas pelo Exército Vermelho na península de Taman.
Foi o regimento de mulheres com mais condecorações, e no seu apogeu chegou a ter quarenta tripulações duplas. No final da Guerra as Bruxas tinham feito cerca de 23.000 saídas e despejado aproximadamente três mil toneladas de bombas. Calcula-se que cada aviadora tenha feito mais mil missões de combate, e 23 delas foram condecoradas com o título de heroínas da União Soviética, a mais alta distinção da URSS.
Trinta das «Bruxas da Noite» morreram em combate; muitas delas eram muito novas, algumas eram mesmo adolescentes.
Marina Raskova
Nasceu numa família da classe média em 1913, filha de uma professora e de um professor de música. Apesar da intenção da família ser que fosse cantora lírica, ela começou a estudar química, e depois de se licenciar começou a trabalhar numa fábrica de tintas.
Um ano depois casou com o seu companheiro, Sergei, e tiveram uma filha chamada Tânia. Em 1931 começou a trabalhar como desenhadora no Laboratório de Aeronavegação da Academia da Força Aérea. Em 1933 tornou-se a primeira aviadora soviética com o título oficial, e um ano depois era instrutora da Academia Aérea Zhukovsky. Em 1935 divorciou-se do seu marido, e em 37, juntamente com Valentina Grizodubova, bateu o recorde feminino de voo sem escalas.
Em 1938, juntamente com outras aviadoras (Grizodubova e P. Osipenko), estabeleceu um novo recorde. Voaram desde Moscovo até Komsomolsk-no-Amur num voo de mais de 26 horas sem escalas, a bordo do Rodina («Pátria»). Marina não teve dúvidas em saltar do avião com pára-quedas, quando a visibilidade impedia a aterragem, tendo sido encontrada por um caçador em plena estepe. Nesse mesmo ano foram condecoradas com o título de Heroínas da União Soviética, sendo as primeiras mulheres a conquistar tal distinção.
Quando rebentou a Segunda Guerra Mundial na Frente Oriental, muitas mulheres com experiência civil de voo acorreram a alistar-se. No Exército Vermelho não havia nenhuma norma que impedisse as mulheres de combater na primeira linha mas, na prática deparavam-se com inúmeros obstáculos, sendo relegados para ocupações de tipo auxiliar.
Marina Raskova recorreu à sua autoridade como aviadora de fama mundial para mudar a situação, e com a aprovação directa de Stalin pôde convencer as autoridades militares a organizar e treinar três regimentos de aviação onde as mulheres seriam aviadoras, engenheiras e pessoal de apoio.
Raskova comandou pessoalmente o Regimento 587º de Bombardeiros, que em 1943 foi reorganizado como o 125º Regimento. Estas aviadoras, que combateram em Stalinegrado, voavam em modernos Petlyakov Pe-2, enquanto as outras unidades compostas por homens utilizavam aviões mais velhos.
Marina Raskova morreu a 4 de Janeiro de 1943, quando o seu avião se estatelou no chão devido a uma tempestade. Como estava numa missão militar foi considerada morte em combate e teve um funeral de Estado. As suas cinzas foram colocadas no Muro do Kremlin, e foi condecorada a título póstumo com a Ordem da Guerra Patriótica de Primeira Classe.
A Rosa Branca de Stalinegrado
«Era uma pessoa muito agressiva… Nascida para o combate»,
(Boris Eremin, Oficial da Força Aérea Soviética).
Lydia Litvak (1921-1943), de origem moscovita, entrou para um clube de aviação popular com catorze anos, e aos quinze fez o seu primeiro voo sozinha.
Um ano depois já tinha licença de instrutora de voo.
Quando começou a invasão da URSS pelos nazis, alistou-se numa unidade de aviação militar mas foi rejeitada. Alterou o seu historial de voo, acrescentou-lhe mais de cem horas de voo do que realmente tinha feito, e foi admitida na base aérea de Engels, próximo de Stalinegrado.
Ali foi treinada por marina Raskova e, seis meses depois já combatia no 587º Regimento de Caças, uma unidade exclusivamente composta por mulheres.
Fez os seus primeiros voos de combate no Verão de 1942, sobre Saratov. Em Setembro foi transferida, juntamente com outras seis aviadoras do 587º e algum pessoal civil para o 437º Regimento. Esta unidade, que até à sua chegada era exclusivamente composta por homens, combatia nos céus de Stalingrado. Três dias depois da sua chegada fez o seu primeiro derrube, tornando-se provavelmente na primeira mulher na História a derrotar um avião inimigo em combate. Poucos minutos depois derrubou um segundo caça que perseguia a comandante do seu esquadrão. O piloto nazi pôde saltar a tempo do avião e foi capturado pelas tropas soviéticas. Era Erwin Maier, um Ás alemão com onze vitórias, três vezes condecorado com a Cruz de Ferro. Maier pediu para conhecer ao piloto russo que o tinha superado e, quando o apresentaram a Lydia Litvak indignou-se, pensando que os oficiais soviéticos o estavam a vexar. Até ela descrever todos os pormenores do combate, o piloto nazi não aceitou que tinha sido derrubado por uma mulher.
Em finais de Setembro, à medida que iam conseguindo mais vitórias, Lydia e outras camaradas foram transferidas para o 9º Regimento de caças da Guarda, também em Stalingrado. Diz-se que, então, já estava pintado na fuselagem do seu caça uma flor branca, pelo que começou a ganhar o nome de Flor Branca de Stalingrado.
Pouco depois, Lydia e a sua companheira Katia Budanova foram novamente transferidas, desta vez para o 296º Regimento de Caças da Guarda (renomeado depois de 73º Regimento de Caças da Guarda). Aí, Lydia conseguiu o seu quinto derrube, tornando-se na primeira das duas únicas mulheres Ases na história da aviação militar (a outra foi a sua camarada de armas Budanova).
Poucos dias depois, em 23 de Fevereiro, foi condecorada com a Orem da Estrela Vermelha, promovida a subtenente, e indicada para um grupo de caças de elite chamado okhotniki («caçadores livres»). Nessa iniciativa, pares de pilotos veteranos movimentavam-se com mais liberdade que dentro do regimento, procurando objectivos de acordo com o seu próprio critério.
Em Março fez um ataque sobre um grupo de bombardeiros alemães e foi ferida por um dos caças que os escoltavam. Teve forças para derrubar outro dos caças, mas quando aterrou na sua base já tinha tido uma grave perda de sangue devido aos ferimentos.
Em Maio, o que tinha sido o seu companheiro de voo em muitas ocasiões, o Ás soviético Solomatin, morreu num acidente. Segundo as palavras posteriores da mecânica de Lydia depois da morte de Solomatin, «Litvak só queria voar em missões de combate».
Dez dias depois, Lydia apresentou-se como voluntária para derrubar um balão de observação alemão, utilizado para localizar objectivos para fogo de artilharia. A missão era extremamente arriscada: o balão estava defendido por dezenas de canhões antiaéreos que sempre tinha tido êxito a repelir os ataques da aviação soviética.
Apesar de ter tido dificuldades, Lydia foi capaz de calcular a hora precisa do dia em que podia aproximar-se do balão, utilizando a luz do sol para camuflar o seu caça, pelo que destruiu o dirigível alemão.
Em Junho foi nomeada comandante de esquadrão. Apesar de em meados de Julho ter sido novamente ferida e ter tido de realizar uma aterragem de emergência, rejeitou a baixa médica e poucos dias depois estava de novo a voar.
A 1 de Agosto saiu quatro vezes em combate no sector sul da Batalha de Kursk. Durante a quarta missão de voo, o seu grupo foi atacado de surpresa por um grupo de caças nazis, e o avião de Lydia foi visto pela última vez, desaparecendo por entre as nuvens, fumegando e perseguida por vários caças inimigos. Tinha 21 anos.
Lydia já tinha sido condecorada coma Ordem da Bandeira Vermelha, a Ordem da Estrela Vermelha e duas vezes com a Ordem da Guerra Patriótica. No entanto, os restos do seu avião nunca foram encontrados, e isso impediu que também se lhe concedesse a distinção máxima.
Não o foi durante décadas até os restos do seu avião terem sido encontrados e, finalmente, foi condecorada postumamente como Heroína da União Soviética.
Salvé às que lutam
A crença de que o socialismo trará automaticamente a libertação da mulher deve ser afastada da cabeça dos revolucionários, mas tampouco se deve esquecer que a derrota do patriarcado só é possível dentro de um sistema em que a exploração económica da maioria por parte de uma minoria não seja permitida.
A Segunda Guerra Mundial foi um conflito atroz, e muitas mulheres tiveram o seu papel nos respectivos exércitos de cada território. A maioria delas foram relegadas para trabalhos administrativos, auxiliares ou de enfermagem. Apenas na União Soviética estiveram na primeira linha de combate. Mais de oitocentas mil mulheres combateram no Exército Vermelho como franco-atiradoras , artilheiras ou aviadoras; vinte mil mulheres foram condecoradas; oitenta e nove receberam a condecoração máxima: Heroína da União Soviética.
Nos Estados Unidos, a «terra das liberdades», as mulheres não pilotaram aviões de combate até 1993.
A crise capitalista em curso, a que ninguém consegue ver o fim, pode relegar muitas mulheres exclusivamente ao trabalho não remunerado, o que quer dizer que se agravará a sua dependência, sendo possível que acabem dependendo do suporte económico de um homem. Darão passos atrás na sua liberdade.
Vivemos tempos com cheiro a barricadas, e devemos fazer um esforço para combater as atitudes patriarcais dentro da esquerda revolucionária. Dizer que a repressão policial é mais terrível porque «batem nas mulheres” é relegá-las a uma posição de debilidade. Afirmar que as nossas companheiras não devem estar na primeira linha porque «não são tão fortes como um homem», é insultar milhares de anos de desenvolvimento da humanidade.
Ambos os argumentos se podem ouvir no sector da esquerda revolucionária. O patriarcado anda há centenas de anos a moldar as sociedades e as cabeças das pessoas, mas isso não é desculpa: é motivo para redobrar os esforços na luta.
As Bruxas da Noite não necessitaram de testosterona nem cromossomas XY para se colocarem na primeira linha. O capitalismo caminho lado a lado com a opressão patriarcal, e a sua ideologia dominante concentra-se em fazer amar o explorador e odiar o explorado. Devemos ter um espírito crítico, mas tal não quer dizer que devemos criticar o que o poder estabelecido queira.
A União Soviética não foi perfeita; não podia sê-lo. A crítica é necessária, mas sempre a partir da esquerda e, em caso algum, deve fazer o jogo do poder estabelecido ou converter-se em peça da engrenagem da propaganda imperialista. E se há muitos erros a aprender com a experiência soviética, também há muitos triunfos que reivindicar.
Com o socialismo não se eliminaram as contradições de género por artes mágicas, e vimos acima como muitas mulheres lutadoras foram inicialmente rejeitadas, tanto pelo Estado como pelos seus companheiros varões, mas não pode negar-se que foi feito um avanço.
A URSS do meio dos anos trinta era um país onde uma mulher como Marina Raskova podia decidir divorciar-se e tornar-se numa oficial militar de elevada patente; mais impressionante é que era um país que permitia que a mulher concebesse isso não como um milagre, mas como uma opção viável. Isto não surgiu do nada: foi o trabalho organizado de muitas militantes que permitiu haver tais avanços na União Soviética, deixando claro que a libertação das mulheres só pode ser fruto da sua própria luta, e acontecer num sistema em que a economia esteja ao serviço das pessoas e não o contrário.
A ofensiva ideológica do capitalismo esconde-nos os triunfos, para que não possamos recordá-los e agarrarmo-nos a eles, para que nos sintamos desligados e desligadas do passado, daquelas pessoas que lutaram. Não podemos permiti-lo.
Tal como a história dos povos lutadores, a história das mulheres lutadoras é inviabilizada pela classe dominante. É nosso dever recuperar a nossa história, a história das que não se renderam. Mulheres lutadoras procedentes de povos lutadores, como as Bruxas da Noite não podem ser esquecidas. Devem ser um exemplo.
Temos que lutar pelo futuro mas sendo herdeiras e herdeiros do passado, recuperando os nossos heróis e heroínas.
E as minhas heroínas atravessaram os céus levando bandeiras vermelhas.
* Miguel Huertas Maestro, espanhol, é estudante de Psicologia.
Este texto foi publicado em: www.kaosenlared.net/secciones/item/43003-brujas-en-la-noche.html
Tradução de José Paulo Gascão