quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Monteiro Lobato Publicado em REDE CASTOR


terça-feira, 18 de setembro de 2012


Monteiro Lobato, Um Gênio, Um Brasileiro




O que está, realmente, por trás da perseguição à memória e à obra de Monteiro Lobato?

Inventam-se formas de fazer publicidade do racismo contra brasileiros. Uma lástima. Pior, um arranjo que envolve uma instituição que tem como finalidade a luta pela extinção do racismo, sendo uma delas uma Secretaria do Governo, todos sustentados pelos impostos pagos pelos pobres, e negros.
Pergunta-se, ainda uma vez, por que essas instituições não promovem ações contra o Estado e seu racismo institucionalizado? Um jovem servidor público negro perdeu seu emprego por ter ofendido um Ministro do Judiciário com sua presença, quando à espera do uso de um caixa eletrônico. Alguma instituição decidiu processar o Ministro? Na Líbia, cidadãos negros estão sendo mortos e perseguidos por nazi-sionistas internacionais e não conheço nenhuma manifestação das instituições contra o genocídio organizado em defesa de uma raça.

José Bento Monteiro Lobato
Os livros escolares, secularmente, adestram as crianças para o racismo e preconceito, elogiando heróis-genocidas e mantendo na ignorância das revoluções da resistência, negando conhecimento da vida e obra de nossos heróis nacionais, índios, negros e mestiços.
O que está, realmente, por trás da perseguição à memória e à obra de Monteiro Lobato?
Nas DEZENAS de obras nas quais a criança, o jovem e o adulto têm a possibilidade de conhecer a mitologia, a filosofia dos povos, as lendas, a história e o folclore nacional, a ciência, a antropologia, enfim, a todo o leitor poderá abrir as portas ao conhecimento e, portanto, à liberdade que a verdadeira cultura promove. 
As Instituições são remuneradas para lutar contra o racismo, ao desconhecer a obra, limitam-se a cumprir as ordens da estrutura racista de poder, no qual, a premissa é manter o brasileiro na ignorância do trabalho desenvolvido por seus irmãos, seus iguais, seus heróis nacionais e, no caso de Monteiro Lobato, um gênio da literatura mundial, gerado em terras brasileiras.
Uma prova da perseguição e condenação das obras de Monteiro Lobato. O precioso livro “A ONDA VERDE O PRESIDENTE NEGRO” não é citado, aliás, esconde-se esta obra como o mapa de um tesouro.
Algumas frases encontradas no livro explicam a condenação dos capitães do mato a serviço da institucionalização do racismo:
No conteúdo da ONDA VERDE, Monteiro Lobato analisa e destrói toda a fantasia da exploração das terras paulistas, um grito em favor da natureza e da verdade, jamais citado pelos autodenominados verdes:
A região era todo um mataréu virgem de majestosa beleza.
Rasgara-o a facão o bandeirante antigo, por meio de picadas; o bandeirante moderno, machado ao ombro e facho incendiário na mão, vinha agora, não penetrá-lo, mas destruí-lo.
Desfez em decênios a obra prima que a natureza vinha compondo desde a infância da terra.
Nada mais soberbo – e nada desculpa tanto o orgulho paulista – do que o mar de cafeeiros em linha, postos em substituição da floresta nativa.
Nada lhe detém a ofensiva irresistível... nem a mentalidade altista, loucamente esbanjadora, do fazendeiro.
A propriedade, cria-se hoje, como outrora, pela conquista do mais forte, pela espoliação levada a cabo pelo mais audacioso, pelo mais despido de escrúpulos.
Mas surge o grileiro e tudo se transforma... terras legitimamente, legalmente “apropriadas”. Ao partir para o sertão ele deixou em casa, na gaveta, os escrúpulos da consciência. Vem firme, vem “feito” como um gavião. Opera as maiores falcatruas; fabrica firmas, papéis, selos; falsifica rios e montanhas; falsifica árvores e marcos; falsifica juízes e cartórios; falsifica o fiel da balança de Temis; falsifica o céu, a terra as águas; falsifica Deus e o Diabo. Mas vence. E por arte dessa obra-prima de malabarismo, espoliando posseiros ou donos, sempre firmados na gazua da lei, os grileiros expelem das terras, num estupendo parigato, todos os “barbas ralas” que ali vivem parasitariamente, tentando resistir ao arranque da civilização.”
Responde o café:
- Minha forme está acima da moral, e eu só conheço as leis do meu apetite.
Ora, se mudarmos os cafezais por plantações de soja, milho e algodão transgênicos, o assunto é o mesmo, o grilo foi transformado em agronegócio e a falsificação depende ainda dos negócios da instituição dentro do Congresso e nas lutas perdidas por tradição nos tribunais dos latifúndios.
Na mesma obra, ao tentar explicitar os mecanismos do GRILO, Monteiro Lobato afirma que o grilo é o “viveiro onde se fermenta a aristocracia dinheirosa de amanhã.”
As velhas fidalguias da Europa entrocam no banditismo dos cruzados. Ter na linhagem um facínora encoscorado de ferro, que saqueou, queimou, violou, matou à larga no Oriente, é o maior padrão de glória de um marquês na França. Ter entre os avós um grileiro de hoje vai ser o orgulho supremo dos nossos milionários futuros. Matarás, roubarás, são os mandamentos de alto bordo do decálogo humano, eternos e irredutíveis...
GRILO É UMA PROPRIEDADE TERRITORIAL legalizada por meio de um título falso; grileiro é o advogado ou “águia” qualquer manipulador de grilos; terras “grilentas” ou “engriladas”, as que têm maromba de alquimia forense no título.
O grileiro é um alquimista. Envelhece papéis.
Não há exagero no cálculo de três milhões, sabendo-se que há grilos de 200, 300 e 400 mil alqueires – territórios equivalentes à metade da Bélgica, quase a Saxônia, e tamanhos como antigos ducados e principados alemães.
... Jeca Tatu aprenderá nela a perdoar com generosidade o erro dos fracos e a punir com dureza o crime dos fortes. E aprenderá ainda a mover-se, a correr, a nadar, a ser homem com H maiúsculo em todas as situações da vida.
O Brasil de amanhã não se elabora, pois, aqui. Vem em películas de Los Angeles, enlatado como goiabada. E a denominação yankee vai se operando de maneira agradável, sem que o assimilado o perceba.
O Presidente Negro

Nesta obra, que mereceria um simpósio para discussão, Monteiro Lobato mistura conhecimento científico, a política eugenista dos americanos, exportada à América Latina, e a vitória sempre anunciada da raça branca contra uma população negra cujos cérebros perderam a capacidade do pensamento individual e solidário.
E como a denúncia de racismo contra a memória de um dos maiores brasileiros, tem por desculpa educação, verifique-se que o ano da ficção é 2228, todavia, a política da escola hospício continua em todos os continentes e tem a pretensão da imortalidade.
A criança tinha na América de 2228 uma importância capital. Toda a vida do país girava-lhe em torno. Era a criança, além do encanto do presente, o futuro plasmável como a cera. Os maiores gênios da raça se consagravam a estudá-la, para com tão dúctil matéria prima ir esculpindo a obra única que apaixonava o americano – o Amanhã... Sua Majestade Baby era o Luiz 14 do século.
... A raça branca, afeita à guerra como a última ratio da sua majestade, desviava-se da velha trilha e impunha um manso ponto final étnico ao grupo que a ajudara a criar a América, mas com o qual não mais podia viver em comum. Tinha-o como obstáculo ao ideal da Super-Civilização ariana que naquele território começava a desabrochar, e, pois não iria render-se a fraquezas de sentimento.
A raça ferida na fonte vital pendeu sobre o peito a cabeça como a planta a que opodador estrangula a circulação da seiva. Ia passar. Estéril como a pedra, iria extinguir-se num crepúsculo indolor, mas de trágica melancolia.
E passou...
Monteiro Lobato, um Gênio
Monteiro Lobato é um gênio que está além de quaisquer acordos judiciais. Nem os denunciantes – que evidentemente desconhecem sua obra- tampouco os julga-dores que, na origem, pertencem à tradicional aristocracia ariana nascida do engodo e da ignorância, têm direito, cultura ou competência para julgar sua obra. As verdades ali contidas não podem ser aprisionadas em tempos processuais, tampouco em políticas de alienação das massas, ou suas palavras podem ser manipuladas fora do tempo e do contexto.
Esse processo contra sua memória nada mais é do que uma das facetas do arianismo psicopata que têm como finalidade manter essa artificial supremacia branca, tão nefasta ao afastar os brasileiros do espírito de solidariedade, sob a fachada do racismo, como se nada mais houvesse a fazer do que macular a honra de um sábio brasileiro que, por sua obra, denúncia com seu silêncio iluminador, os atores desse circo montado como seres imbecilizados e imbeciliza-dores.
Monteiro Lobato está além, muito além do Sítio do Pica-pau Amarelo. 
A moto-serra-caneta tenta derrubar sua árvore do conhecimento, mas Lobato sobrevive apesar da perseguição dos capitães do mato de todas as raças, de todos os matizes e de todas as instituições
 Postado por Castor Filho


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Mulheres



Olá a todos. Meu nome é Daniel, estou no final do meu doutorado em Física na Alemanha (a graduação e mestrado foram no Brasil). Há tempos venho prometendo escrever algo pra enviar pra esse espaço, mas depois do post sobre a campanha vergonhosa da União Europeia (Science: It's a Girl Thing!), essa é uma boa hora.
Quero falar um pouco de alguns estereótipos e preconceitos que rolam dentro do mundo acadêmico de ciências exatas. Compartilhar um pouco da minha própria experiência.
Primeiro um background. Cresci com uma cabeça "liberal". Achava tradições e padrões a maior bobagem. Achava atitudes machistas uma das coisas mais nojentas da nossa sociedade. Porém, quando entrei no curso de Física, aos poucos fui mudando. Aos poucos fui "entrando na onda" da grande maioria, isto é, homens que parecem que estão no cio (ou tentam mostrar que estão). E eu que sempre achara ridículo cantadas rudes e olhadas inconvenientes, me vi encarando qualquer calça jeans um pouco mais apertada.
Nesse mesmo ambiente, um preconceito se formou. Mulheres não eram boas em Física nem Matemática. Bom, talvez algumas pudessem sim ser boas nisso. Mas só aquelas "mais masculinas", menos atraentes. Mulheres bonitas e inteligentes? Nem pensar!
Hoje, olhando pra trás, lembro de uma colega que correspondia àquele padrão de beleza que estamos acostumados: loira e sexy. E de fato, ela era muito bonita. Além disso, ela sempre mantinha ótimas notas, tinha uma facilidade incrível pra aprender determinados assuntos, e era bastante determinada. Ótimo, não? Não. Essa segunda parte era ignorada por muita gente. Sempre tinha alguém pra fazer a piada de que a nota boa foi por causa do decote. E sempre tinha (muita) gente pra rir da piada.
No mestrado, já em outra cidade, eu via a mesma atitude (inclusive entre amigos do doutorado também). Quanto mais bonita, menos respeito. Se a feia tira nota boa, é (talvez) mérito dela. Se a gata tira nota boa, é porque seduziu o professor, ou porque recebeu aulas particulares do doutorando brilhante.
E as pesquisadoras? Se publica muitos artigos, é porque deve ter alguém (marido, amigo, amante) pra ajudar a escrever. Passou num concurso para professora? Alguém (homem, claro) deve ter mexido os pauzinhos pra facilitar.
De fato, conversando esses dias com uma amiga, ela me disse que para ganhar algum respeito no curso a garota precisa se masculinizar. Virar "bróder". Talvez leitoras que cursam exatas vão se identificar com isso. Feminilidade e respeito parecem ser coisas antagônicas num mundo machista.
E não pára por aí. Até as mulheres inteligentes costumam ser vistas de maneira diferente. Homens podem ser geniais; mulheres são "dedicadas". Homens aprendem, mulheres decoram. Existe a mentalidade (errada!) de que todo caderno de mulher inteligente é super organizado, enquanto o homem inteligente faz as contas de cabeça ou em guardanapos.
E finalmente chego ao doutorado. A mentalidade da Europa com relação à misoginia é bem diferente. Não vou dizer que não existe machismo, mas posso dizer que muita coisa aqui é de dar inveja. Até hoje nunca presenciei nenhum comentário machista vindo de nenhum colega. Não posso dizer se o pensamento não existe ou se ele fica bem escondido (o "politicamente correto" por aqui é forte).
Aos poucos fui voltando ao normal -- gosto de pensar que "normal" é tratar mulheres como pessoas. Não digo que estou 100%, mas o ambiente menos machista e a ajuda de canais como o blog da Lola me ajudam a manter a sanidade.
Não preciso dizer que os preconceitos que eu tinha não se sustentam mais, né? Vejo mulheres "arrebentando" em qualquer campo de pesquisa. Na minha área, por exemplo, posso citar no topo da lista as irmãs Becker, autoras de trabalhos revolucionários em Teoria de Cordas, na década de 90, e autoras de um dos livros mais utilizados sobre o assunto, e a Lisa Randall, autora de um dos modelos mais utilizados para explicar porque a gravidade é tão fraca. Digo "no topo da lista", pois eu poderia encher esse post com nomes de importantes cientistas mulheres só na minha área de atuação.
Infelizmente, nem tudo são flores por aqui. Existe um problema sério, comum também nas Américas: a falta de mulheres em ciência.* As motivações da União Européia com aquele vídeo vergonhoso são honestas. Ultimamente eles têm investido bastante em políticas para mudar esses números. 
Por exemplo, a maioria dos financiamentos de pesquisa possui cláusulas pedindo que, na medida do possível, professores tentem balancear o número de mulheres e homens em seus grupos -- no contrato do meu financiamento, por exemplo, pedem um mínimo recomendado de 40%. O "na medida do possível" vem do fato de que muitas vezes não existem inscrições suficientes. Mesmo aceitando todas as mulheres que se inscrevem (e os anti-cotas vão à loucura!), o número ainda é muito baixo. Mas as políticas de inclusão têm tido bons resultados (deixando de fora aquele vídeo, claro).
Embora as mulheres estejam aos poucos conquistando espaço numa área por muito tempo predominantemente masculina, ainda parece existir uma mentalidade de que meninas devem fazer outra coisa. Nenhuma menina bonitinha quer ficar descabelada como o Einstein, né? E as poucas que insistem nesse caminho têm que enfrentar não só os desafios acadêmicos, como também o preconceito, disfarçado ou não, de seus pares. Sexo frágil? Acho que não, hein?

* Existem alguns países onde a situação é inversa, e o número de mulheres em ciência pode chegar a ser até maior que o de homens. O Irã, por exemplo, tem números impressionantes! Um dos possíveis motivos, vindo de amigos iranianos, é que lá como a sociedade é ainda bastante patriarcal, o homem precisa casar logo e "prover" a casa e a mulher. Ciência é algo que demanda tempo e não traz retorno imediato. O que torna uma carreira quase impossível para os homens iranianos, mas bastante convidativa às mulheres.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Ato falho



Ato Fal(h)o


Em homenagem ao Biscate Social Club.


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O falo devia ser um detector de mentira

Pra você não fingir seu orgasmo

Pra não obstruir aquele espasmo
não pra mim
não assim.

Falo de quando você suspira
(e da brochada surge o marasmo).

Se, sem mais, o falo falhasse
e o amor se estraçalhasse
o sexo seria ruim
e isso seria o fim.

Falo pra que você adquira
a capacidade de mostrar o que quer
venha a vontade de onde vier
tenha vindo do rim
ou do lençol de cetim.

Falo constrangido não respira
e, sem mais, se asfixia.

O diálogo vira disritmia,
os corpos não dizem "sim";
os corpos se afastam, enfim.

Falo do falo pra não falar de mim
do homem que é um saco
embora descenda do macaco.

Não faz do sexo satisfação
'ind'inventa um amor tão distante do tesão
E entre o que falha do falo
e o que fala esta falha
fica a única explicação:
você mente pro outro, quando mente pra si;
ele mente mais um pouco, quando mente por um "sim".
By MBF - 11/05/2012
Crédito da Imagem: Orlando Pedroso.


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O desejo X A culpa

Orgasmo Masculino Fake: o Desejo X a Culpa

Há alguns dias eu recebi um desafio. Sim, teve uma reunião das Bisca que decidiram me interpelar brutalmente (DM no Twitter, com twit de “@Mozzein —>DM”) para que eu falasse de um tema complicado para nós, homens: orgasmo fingido, broxada. A ideia era aproveitar as discussões resultantes do post “Orgasmos: é à brinca ou é à vera?” da Renata Lins e da Silvia Sales e preparar um dedo na nossa ferida… (O post foi tão bom que rendeu a homenagem do Matheus, confira aqui) e fiquem calmos, o dedo vai só na ferida mesmo. Como eu sou muito #FACINHO, aceitei imediatamente, pois, já que eu estou fazendo hora e fazendo fila na vila do meio-dia, não custa nada me coçar, me roçar e me viciar na biscatagi…


A questão principal é HOMEM FINGE ORGASMOS? Como isso poderia acontecer? Há quem diga que homem só broxa e que fingir orgasmos é coisa de mulher… pê-pê-pê, pá-pá-pá, sexismos etc. e tal. Só digo uma coisa pra vocês, dispam-se disso. Homem finge orgasmo sim. Vamos pensar em conjuntos, em inter-relações e em trocas para tentar entender isso… se eu abusar do sociologês, pode bocejar e continuar lendo, mas vamos lá.
Primeiro, sexo e orgasmo (heterossexual e homossexual) é algo que se descobre a dois. Não existe uma receita. Existe prática, conhecimento do outro, cumplicidade. Pode rolar de primeira, delícia que sempre seja assim, mas se não rolar (e, pior, se não está rolando) é importante se conhecer. Colocar o nariz, a língua, o dedo, a boca, usar de todos os artifícios que o nosso corpo permite (e que não o “destrua”) para aproveitá-lo, na plenitude.
Outra coisa é o autoconhecimento. Não adianta querer meter o dedo (y otras cositas más) no outro se não sabemos onde o outro pode colocar na gente. “SE TOQUEM”, sempre digo isso! (aliás, se você não leu, veja lá a situação do Gerônimo!) É preciso que as pessoas pratiquemos isso! Como pretendemos ter algum tipo de prazer sexual, despejar o gozo do nosso desejo (que envolve 2 partes, o psicológico e o somático, a mente e o corpo) se, no mais simples, no nosso corpo, nos recusam a nos TOCAR??? Irrita-me, profundamente, quando escuto certos discursos que, muitas vezes veladamente, condenam o autoconhecimento. Pior, que condenam o reconhecimento do próprio corpo como um elemento de satisfação.
Sim, o nosso corpo é um elemento da nossa satisfação. Ninguém está aí para ser a satisfação do outro (o nome disso é estupro, físico ou cultural, sim, se você finge o orgasmo você pode estar sendo culturalmente estuprado). E o bom é que se alcance a satisfação com o outro, juntos, senão não serve. Pra isso, há uma terceira questão: A CULPA. Sim, essa senhora é o algoz de todo o DESEJO. CULPA, CUL-PA, C-U-L-P-A. Pessoal, familiar, social, ou cultural, a culpa é o motivo de muitos orgasmos fingidos. É a culpa de ser gordo em uma sociedade magra, de ser feio em uma sociedade linda, de ser raquítico em uma sociedade atlética, de transpirar em uma sociedade anti-transpirate. Mas esse é só o primeiro nível de culpa, pois envolve apenas aspectos fisiológicos.
Outro nível é a culpa de gozar. Não só de gozar, mas de se permitir fazer sexo. É a dos jovens de pais repressivos, dos homossexuais de pais homofóbicos, dos religiosos de seitas que pregam a suma reprodução, dos diferentes que sofrem com os dedos apontados pelos iguais. Haja Freud! Se encaixou em alguma delas? Pois é, é aí que começa o fingimento do seu, do meu, do nosso orgasmo, querido leitor-leitora biscate-wanna-be. Sim, isso serve para as meninas.
Isso tudo me traz à cabeça Clarice Lispector no “Uma aprendizagem, ou o Livro dos Prazeres”, que conta o processo de emancipação sexual de Lóri, levado a cabo por Ulisses. Não vou entrar em detalhes sobre a história (cuja leitura, mais que recomendo), me interessa a questão da emancipação que, no caso, ocorreu pelo fato de que alguém que exercia um papel de dominância (Ulisses) resolveu permitir ao outro, que queria e buscava isso, um processo de liberação.
O processo de aprendizagem é algo difícil, doloroso e, em certo ponto, pende entre alienante e emancipatório (a Lóri passa por esses estágios). Já diria meu querido Bourdieu (mais especificamente sobre a escola) que a reprodução de um sistema de dominação (e, sim, educação sexual da culpa é uma das mais fatais em nossas vidas) é principal motor de um “sistema de alienação”. Cabe, assim, a todos nós dominadores ou dominados, ou dominados em conjunto. Trabalhar pela nossa emancipação.
Todo processo de aprendizagem é um processo de dominação. Há sempre o que diz (ou faz) e os que reconhecem que aquilo o que é dito (ou feito) é “bom” (ou “ontologicamente melhor”, pra usar o Bourdieu). Sem querer reduzir a questão sexual apenas à questão simbólica do poder, cabe a quem domina, a quem tem o reconhecimento, decidir sobre exercer seu poder para emancipar, ou praticar a violência e alienar. E cabe ao dominado buscar ver o processo por cima, de forma crítica e entender a intenção do seu dominador. O mundo pode até ser dos sensíveis, mas não é dos ingênuos… infelizmente!
E não se enganem, alienação sexual é também uma escolha e é NOSSA. Pelo simples fato de que somos nós que reconhecemos nesse sistema a suas capacidades de nos dizer o que é certo ou errado sexualmente. Mas não é só isso, felizmente. Não é comum, mas vira e volta surge um desses “dominadores” (no sentido de detentores de poder/conhecimento/reconhecimento e não de repressores) que resolvem se permitir conosco modificar essa situação e, aí, acontece a reversão da dominação. Afinal, o que seria de nós sem os pais responsavelmente permissivos, os professores avant garde, os meios de comunicação libertários, os movimentos pelas liberdades, os psicólogos e psicanalistas.
Onde fica o orgasmo masculino fingido nessa história? Fica principalmente nessa culpa decorrente do nosso processo de alienação sexual. O homem não finge o orgasmo pela ausência de uma regularidade fisiológica, a impotência. Fingir o orgasmo não tem nada a ver com isso, aliás, precisamos estar em riste para poder fingir algo que não vai ocorrer. É justamente nas questões de autoconhecimento e de culpa que reside o nosso momento #FAKE.
É assim: Veio a vontade, começamos a trepar, mas o parceiro gemia esquisito; a foda estava mal dada, entrou atravessado; colocaram a mão no lugar errado, ou não colocaram a mão em lugar nenhum; conversou muito, conversou pouco; a culpa afligiu o desejo… era suor demais, gordura demais, ossos demais, dente torto demais, mau cheiro e sangue demais; as vezes o tesão nem era tão grande e só pegamos para mostrarmos que éramos homenzinhos; pegou menina e gostava de menino; era a voz da mãe, do pai, da avó, do pastor, do padre, do professor, ou da vizinha que não saía da cabeça; ou, ainda, o mais simples e digno, o cansaço era maior.
E aí, assim, metemos, beleza. Rolou um vap-vap-vap. Mas não tava lá essas coisas. Aí, atire a primeira pedra que nunca pensou na mãe morta, no cachorro atropelado, na vizinha velha nua, ou simplesmente broxou (e volto a dizer, não é algo somático, não é impotência, é psicológico, é falta de vontade, de desejo), por ter escutado lá dentro, no inconsciente, a voz de algum repressor. Então, é só dar um urro e não deixar a falta de conteúdo dentro da camisinha à mostra. Pronto, está feito um orgasmo masculino fingido. Acontece, pode até não ser comum, mas não é raro. O que faz com que ele ocorra? São motivos mil, incontáveis, a maioria dependente da ambivalência Desejo-Culpa. Não deixe acontecer mais com você. LIVRE-SE DA CULPA!
Só pra lembrar, vale ver o vídeo em que Sean Maguire (personagem do Robim Willian) lembra a Will Hunting (personagem de Matt Damon) que “NÃO É SUA CULPA”, no filme Gênio Indomável. GOZE!

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terça-feira, 5 de junho de 2012

crime compensa - Stanley Morgan

Economia brasileira

04.06.2012 16:26

Analista do Morgan Stanley sugere que Brasil construa pontes em vez de eliminar pobreza


Artigo do indiano Ruchir Sharma na revista Foreign Affairs diz que Bolsa Família reduziu desigualdades à custa de crescimento. Foto: Divulgação
O Brasil tem a tendência de limitar seu próprio crescimento por ser “viciado” em proteger seus cidadãos com benefícios sociais custosos, como o Bolsa Família, o que torna o país vulnerável à inflação.
 A polêmica análise é do economista indiano Ruchir Sharma, chefe de mercados emergentes do banco de investimentos Morgan Stanley, em um recente artigo publicado na revista norte-americana Foreign Affairs.

 O texto, uma adaptação do livro Breakout Nations — In Pursuit of the Next Economic Miracles (Nações em Ascensão — Em Busca dos Próximos Milagres Econômicos, em tradução livre), mostra como, mesmo em meio à grave crise provocada pelos exageros do neoliberalismo, esta ideologia continua sendo difundida.

Em seu texto, Sharma afirma que durante os dois mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) o Brasil se tornou um exemplo de mercado emergente responsável no campo financeiro e capaz de incluir 30 milhões de pessoas classe média, reduzindo a desigualdade de renda com programas como o Bolsa Família. O dinheiro destas iniciativas veio, prossegue Sharma, da alta nos preços das commodities e, com a tendência de queda nos valores destes itens, os programas sociais se tornaram inviáveis, passando a sacrificar o crescimento do País. “O Brasil precisa entender que poderia bancar essa iniciativa [a redução da pobreza e da desigualdade] somente graças a um período de vasto crescimento global que começou em 2003″, diz em um trecho do artigo. Em outra parte, o economista é mais incisivo (chega a definir o Bolsa Família como, talvez, o mais generoso programa de bem-estar social entre os países emergentes): “A assistência reduziu a desigualdade, mas à custa do crescimento.”

A análise neoliberal do indiano atrela os gastos do governo na área social (40% de acordo com seus critérios) com os problemas da indústria. Segundo Sharma, a verba usada para gastos sociais é oriunda do aumento de impostos que deixa as empresas com menos dinheiro para investir em treinamento, tecnologia e equipamentos, comprometendo assim a produtividade da indústria. Para Sharma, até mesmo políticas como acesso gratuito à educação e saúde, além do “alto” salário mínimo do país, fazem do Brasil um país “muito conservador”, sendo necessário cortar gastos com o bem-estar social, simplificar os impostos e modernizar o sistema de pensão e de segurança social.

Sharma conclui seu pensamento dizendo que é preciso aproveitar o capital estrangeiro que entra no País por causa das altas taxas de juros para investir em infraestrutura crítica para a exportação e não para sustentar programas de distribuição de renda. Segundo o analista, o Brasil deve seguir o exemplo da China: abertura para o comércio global, com baixos níveis de juros para fornecer capital barato e financiar rodovias, pontes e portos. Ou seja, fica a mensagem de que é mais importante construir ferrovias e pontes, por exemplo, que eliminar a pobreza.

Textos como o de Ruchir Sharma mostram a resiliência da ideologia neoliberal, apoiada, em grande parte, na desfaçatez de muitos de seus adeptos. O Morgan Stanley, para quem Sharma trabalha, foi um dos gigantes do sistema bancário norte-americano fortemente afetado pela crise de 2008. No auge da crise, o banco chegou a registrar queda acima de 50% em suas ações da bolsa. O Morgan Stanley só foi salvo graças a um procedimento considerado um pecado pelos neoliberais, a intervenção do estado. Afundada, a instituição precisou deixar o status de banco de investimento e virar uma “holding de bancos” para ter acesso aos empréstimos concedidos pelo FED (Banco Central dos EUA). No total, recebeu empréstimos de mais de 100 bilhões do governo americano. A última trapalhada do Morgan Stanley foi ser subscritor da oferta pública do Facebook, cujas ações sofreram vertiginosa queda dias depois do IPO.

Para entender o texto de Sharma, é preciso compreender a natureza de seu autor. O indiano escreve como um analista de banco, cujo objetivo é lucrar e não administrar um país. Por isso, como boa parte dos neoliberais, defende a aplicação de um receituário de corte de gastos a qualquer preço, mesmo que isso sacrifique a população de baixa renda e não leve em conta que o dinheiro injetado na economia por programas de redistribuição de renda contribua para incentivar o comércio, a gerar empregos e movimentar a economia.

quadrinhos


04 Junho 2012

História em quadrinhos transgride Ditadura Militar brasileira


“Esta semana a presidente Dilma Roussef instalou a Comissão da Verdade, que pelos próximos 4 anos irá apurar violações aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988. A ditadura militar ocorrida no Brasil está dentro deste período. Há um certo impasse sobre qual a abordagem a comissão deve tomar, se somente as violações cometidas pelos militares ou se também voltará seu escopo para as ações dos guerrilheiros.

Em meio há tudo isso, uma história em quadrinhos nacional lançada de maneira independente traz uma abordagem não maniqueísta da época, onde convicções políticas e questões pessoais misturavam-se, gerando consequências inesperadas.

“Ditadura No Ar” é uma HQ policial ambientada no regime militar brasileiro. Esse thriller de ação policial foi criado pelo roteirista e editor Raphael Fernandes (MAD, Wizmania) e pelo desenhista Abel (Almanaque Gótico,CecilleVeronika).

Até o momento, o fotógrafo freelancer Félix Panta investiga o paradeiro de sua namorada comunista Nina (vulgo Lenina), capturada pelo DEOPS durante um protesto contra o regime militar. Seus planos deram errado e, além de não encontrar a garota, teve sua máquina fotográfica danificada.

Na segunda edição, Félix é contratado para acompanhar um repórter novato ao esconderijo de Samarca, um guerrilheiro de esquerda que conseguiu fugir de um presídio militar. Sabendo que ele foi capturado no mesmo final de semana que Nina, o fotógrafo carcamano vê neste trabalho uma chance de conseguir alguma pista.

Fortemente influenciada por Agente Secreto X-9, Sin City, 100 Balas, cinema noir, fumetti, Clint Eastwood e Quentin Tarantino, a narrativa foi construída para simular as tiras clássicas de aventura, que geravam uma tensão cativante, mas sem revelar o desfecho da cena, obrigando o leitor a voltar na semana seguinte.

Inicialmente publicada na internet, “Ditadura No Ar” cresceu e migrou para o formato impresso, rendendo ao roteirista Raphael Fernandes a indicação na categoria “Roteirista Novo Talento” no Troféu HQMix de 2012.”
FOTO: Divulgação

domingo, 3 de junho de 2012

Primo

“Já não faz muito tempo que eu andava a pé, não pegava nem gripe, muito menos mulher. Só pegava poeira, nem olhavam pra mim. Quem não tem dinheiro é primo primeiro de um cachorro. Agora eu tô mudado, o meu bolso tá cheio, mulherada atrás. Vem ni mim, Dodge Ram!”

Israel Novaes / Raphael Barra